
Deputados estaduais e pré-candidatos do MDB se reuniram nesta sexta-feira (6.mar) e decidiram iniciar uma ofensiva contra a formação de uma chapa de deputado estadual pelo Republicanos, partido controlado no Piauí pelo deputado federal Jadyel Alencar. Os emedebistas querem agora uma reunião com o governador Rafael Fonteles (PT) para que o mandatário do Palácio de Karnak interceda na questão.
Eles entendem que se a chapa do Republicanos prosperar, o MDB perderá candidatos e vagas.
Não bastasse isso, os deputados do MDB ainda recuaram da sequência de portas na cara que deram no vereador de Teresina Eduardo Draga Alana. Agora, com medo da chapa do partido se esfacelar, decidiram aceitar o edil renegado. Os figurões do MDB temem a saída de nomes da chapa proporcional, o que pode comprometer suas reeleições.
O calundu contra a chapa do Republicanos demonstra o quanto o MDB tem se apequenado. Embora carregue a fama de partido grande, a legenda não consegue caminhar com as próprias pernas no Piauí quando o assunto é montagem de chapa proporcional. Registre-se, bem diferente do PT, que forma chapas proporcionais sem dificuldade e sem precisar se ajoelhar para ninguém.
E isso não vem de agora. Em 2018, quando dirigentes do PT defendiam chapa pura petista para a Alepi, o MDB fez calundu e brigou para ter um chapão na base governista. Os petistas se garantiam sozinhos, mas os emedebistas sabiam que sem coligação com o PT não conseguiriam reeleger sua turma.
Na época, o calundu valeu a pena e o então governador Wellington Dias intercedeu em favor dos emedebistas. Dias, é importante lembrar, usou a querela entre os dois partidos para viabilizar seus interesses no plano majoritário. Naquela eleição o MDB queria a vaga de vice-governador e acabou levando um balão do líder petista, mas a coligação proporcional foi, entre outros motivos, uma razão para acalmar o partido.
Em 2022, o MDB precisou fazer uma jiriquita com o PSD, num acordo que ficou conhecido como "fusão cruzada". Nele, o partido abriu mão de ter uma chapa para deputados federais e mandou todos os candidatos a federal para o PSD. Em troca, o PSD cedeu todos os seus candidatos a deputado estadual para o MDB. A ideia, claro, partiu do MDB, que, com o fim das coligações, não teve competência de formar chapa sozinho.
Agora, mesmo com a manutenção da chamada fusão cruzada com o PSD, o MDB está assombrado com medo de não ter uma composição que garanta a reeleição dos seus principais nomes. Aliado a isso, candidatos considerados medianos – no voto e não na inteligência – avaliam sair da sigla porque não querem ser bucha para os figurões do partido. Por esse e outros motivos, o “grande” MDB decidiu agora fazer calundu contra a chapa do pequeno Republicanos, comandado por um iniciante de primeiro mandato.
O MDB sempre teve fama de viver a reboque de outros partidos na questão majoritária, se prestando ao papel de auxiliar mesmo quando tinha musculatura política para disputar governos. Assim tem sido no estado do Piauí nas últimas décadas. Pelo visto, a pequenez característica do partido no plano majoritário está se estendendo também para o proporcional.







